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Notícias Científicas


08/08/2018 - Reforço para o time IDOR


 


Médico, neurocientista, músico nas horas vagas, campeão de hipismo, ex-diretor de um instituto de pesquisa em mineração: o perfil de Luiz Eugênio Mello, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é tão variado quanto possível. Este ano, ele assume o desafio de tornar-se diretor científico do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino.

Apesar do diploma de médico, Mello esteve desde o início da carreira mais inclinado à vida de laboratório do que aos consultórios. Na Unifesp, onde realizou a maior parte de sua formação – graduação, mestrado e doutorado –, dedicou-se ao estudo dos mecanismos cerebrais da epilepsia em modelos animais e humanos, tema que também abordou durante o pós-doutorado na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

Desde então, continuou as pesquisas na área da neurofisiologia, debruçando-se sobre temas como memória, acupuntura e meditação. Nos últimos anos, em seu laboratório na Unifesp, tem investigado novos fármacos para o tratamento da epilepsia pós-traumática.

A destacada atuação como cientista levou Mello a cargos de gestão, como a pró-reitoria de Graduação na Unifesp e a presidência da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE). Em 2009, recebeu um convite nada comum para um neurocientista: ajudar a criar o Instituto Tecnológico Vale (ITV), voltado a ciência, tecnologia e empreendedorismo na área da mineração.

Agora no Instituto D’Or, Mello une novamente a experiência em gestão e a excelência científica para capitanear as atividades de pesquisa e desenvolvimento da instituição. Abaixo, o neurocientista pontua passagens importantes de sua carreira e revela suas expectativas para os próximos anos.

 
Você é médico, mas nunca atendeu pacientes. Por que optou pela pesquisa científica?

Escolhi a ciência antes de escolher a medicina, em grande parte por estímulo da minha família. Fui influenciado por livros e conversas a querer me tornar um cientista e estudar o desconhecido. Sempre me fascinaram o oceano, o universo e o sistema nervoso.

Durante a faculdade, me interessei pela neurocirurgia, mas logo me decepcionei com essa possibilidade de carreira. Pensei também em fazer neurologia clínica. Foi quando percebi que eu tinha uma grande limitação: a dificuldade de lidar com o sofrimento e a angústia de quem procura atendimento médico. Isso me afetava muito, não me fazia bem. Então, decidi pela neurociência básica, seguindo minha vocação de cientista dentro da área de neurociência.

 
Desde muito cedo em sua carreira acadêmica, você se envolveu na gestão de instituições ligadas à ciência e tecnologia. Por quê?

Sempre fui participativo, opinando, votando e ajudando a tomar decisões na Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento (SBNeC), como membro que era. Em uma das assembleias, foi perguntado quem queria ter trabalho, mas não dinheiro (risos). Eu e mais alguns colegas levantamos a mão e topamos o desafio de desenvolver o primeiro código de ética em experimentação animal, em um cenário onde o assunto estava começando a ser discutido no país, em 1991. Isso revelou uma característica minha: o interesse em agregar. Alguns anos depois, em 1995, fui convidado para compor a diretoria da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), onde ocupei a posição de secretário geral. Foi um trabalho intenso e massacrante, pois, entre outras atividades, organizávamos congressos para 3 mil pessoas. Foi onde conheci pessoas importantes, como ministros do governo, e aprendi muito. Foi, também, um momento em que tive dificuldade de seguir com as atividades de pesquisa – na mesma época, construí minha casa, meus filhos nasceram, e ainda tinha as funções de docente da Unifesp. Mas todas essas escolhas contribuíram para minha carreira.

 
Como um neurocientista foi parar na presidência do Instituto Tecnológico Vale?

Para mim, fazer ciência é ter a possibilidade de criar. Sei que ciência é 5% inspiração e 95% transpiração, mas existe um componente criativo muito importante que me atrai. Trabalhar em qualquer estrutura nascente, em desenvolvimento, é incrível, pois tudo está por ser feito. É um grande desafio, mas os erros são permitidos. Aceitei o convite de ir para a Vale porque a empresa tinha pouquíssima experiencia nesta área, e não sabia como colocar as ideias em prática, como construir esse instituto. E o trabalho da construção é muito gratificante. Criamos algo muito importante para a Vale e para o país; hoje, há um modelo no qual outras instituições podem se espelhar.

 
Que características do Instituto D’Or lhe fizeram deixar o ramo da mineração e voltar para a área de pesquisa, ensino e inovação em saúde?

O Instituto D’Or também é muito jovem: uma organização em construção, com um potencial incrível de realização nas áreas de pesquisa e ensino. Não tenho dúvida da excelência da pesquisa feita aqui ou dos planos do Instituto D’Or para o ensino. Por outro lado, não há atividade humana que não possa ser melhorada ou aperfeiçoada. Enxergo um universo enorme de desafios e várias janelas de oportunidades. Acho que o Stevens [Rehen, que ocupava antes de Mello o cargo de diretor científico], com as competências que ele reúne e com as circunstâncias do momento, fez grandes avanços. Pretendo manter esses avanços e continuar seguindo – juntamente com ele, que irá trabalhar comigo –, mas também atacar outras frentes, contribuindo para que o Instituto cresça ainda mais. Não entendo nada de mineração, mas pude ajudar na Vale, pois entendo de ciência. Aqui no Instituto D’Or, vou trabalhar com ciência e saúde, um mundo com que tenho mais familiaridade.

 
Que aspectos do Instituto você pretende desenvolver?

Existem três grandes elementos em qualquer grande organização: o recurso financeiro, o recurso físico (infraestrutura) e os recursos humanos. Os recursos humanos são sempre o grande motor de qualquer instituição. A maneira como você organiza esse motor é muito importante para o resultado que se tem. Na Vale, aprendi muito sobre gestão de pessoas. No Instituto, venho conversando com os pesquisadores para entender o que eles fazem, por que eles fazem, e o passo seguinte vai ser ajudá-los a fazer mais e melhor. Como membro da diretoria, minha função é dar suporte e oferecer condições.

Voltando ao ponto: as pessoas já estão aqui, e são muito qualificadas. A estrutura física nós já temos. O mais fácil de mudarmos é o dinheiro. Estamos buscando dinheiro da maneira correta nas agências de fomento no Brasil e exterior? Precisamos otimizar esse aspecto para conseguirmos fazer mais coisas. Além disso, assim como era a relação entre as pesquisas desenvolvidas pelo ITV e a própria Vale, pretendemos estreitar a relação entre o Instituto e a Rede D’Or São Luiz, aumentando a interação entre as duas, o que beneficiará ambas as instituições.

 
Onde você espera que o Instituto D’Or esteja daqui a dez anos?

Precisamos reforçar a presença do Instituto no rol das instituições mais cobiçadas na área de ciência e tecnologia do mundo, despertando interesse nas pessoas. Outro aspecto é criar um plano de carreira para nossos pesquisadores, alunos e colaboradores: é preciso que as pessoas enxerguem no Instituto D’Or uma oportunidade de carreira. Fizemos isso na Vale, onde diversos pós-doutorandos se tornaram pesquisadores e pesquisadores se tornaram líderes de linhas de pesquisa. Vários líderes de pesquisa se tornaram diretores, e assim por diante. Na área administrativa, também era assim. Isso faz total diferença.


 



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